In My Secret Life

Minha melhor metade! Espero que um dia não precise me dividir...

quarta-feira, agosto 30, 2006

Nice day!

Acordei diferente. Ultimamente tenho acordado triste, cansada, desanimada... sem esperanças de algo bom acontecer. Hoje não! Sentia uma força se movendo em algum lugar aqui dentro. Não classifiquei a sensação como boa ou ruim. Sei que era acompanhada de subjetiva falta de ar.

Claro que pensava nela. Penso todos os dias... na hora de dormir, quando acordo, quando chego no hospital e quando saio de lá. No caminho, na ida, na volta. No semáforo, na avenida. No banho. Penso quando acontece algo novo, quando nada acontece. Mesmo sem motivo. Ela é o motivo.

Não me contive e resolvi ligar. Do outro lado, uma voz doce e gostosa de quem acabou de acordar e estica o corpo na cama num movimento preguiçoso de despertar.

- Olá...
- Oi! – percebi que havia se assustado, mas também estava surpresa. Aconteceu alguma coisa?
- Não, só liguei pra dar bom dia – a essa hora já sentia um certo arrependimento.
- Bom dia, linda. Você dormiu bem?
- Dormi sim, obrigada. E você?
- Como uma pedra... rs.
- Bem, preciso ir... desculpe tê-la acordado. Foi mais forte q...
- Adorei receber seu bom dia – interrompeu com um sorriso maroto. Obrigada por ligar.
- Beijo grande.
- Beijo.

Talvez o dia tivesse começado bem. Cheguei um pouco atrasada no hospital e já não esperava encontrar vaga tão perto quando percebi que havia uma bem na porta. Sorri. Afinal, parecia estar com sorte.

Por volta de 10:30h, celular. Era ela.
- Oi, Dra. Ocupada?
- Não, estou aguardando a hora da visita. Pode falar.
- Bom, tava pensando em olhar o lance do carro hoje (ela havia batido na garagem do prédio há alguns dias)... – seguiu-se uma breve pausa e eu aguardava ansiosa mais algumas palavras – e queria sua companhia. Se você puder, é claro.
- Posso sim! Será um prazer. Assim que sair te ligo. Pode ser?
- Certo. Estou te aguardando, então. Beijos.

As horas não mais passaram desde então. Só sairia às 14h. Mal o relógio marcava esse horário, já estava ligando. Combinamos que ela me pegaria na porta do hospital.

Fomos. Até indiquei um outro lugar além de onde ela havia pensado ir. Feito isso, resolvemos ir ao shopping que fica perto de sua faculdade só pra fazer hora, até sua aula começar.
Ficamos numa livraria, lendo coisas sobre direito, medicina, auto-ajuda, espiritualidade... e astrologia. Combinanos inocentemente nossos signos, trocando olhares que ainda não sei dizer o que significavam.

Foi uma tarde agradável. Algumas vezes nos abraçamos, como que brincando. Sorrimos. Insinuamos. Creio que nos provocamos, até. E, se de fato o fizemos, ela se encarregou da maior provocação: enquanto nos despedíamos, ela já dentro do carro e eu na porta, com o corpo inclinado em sua direção, senti que sua cabeça se movimentou de forma que seus lábios passaram vagarosamente perto dos meus. Lancei-lhe um olhar de quem havia entendido o recado. Mais uma vez, sorrimos... agora, com malícia.

Ela então ligou o carro e com um sorriso suspeito mandou-me um beijo e disse um “tchau”.

domingo, agosto 27, 2006

Família!

Bom, esses dias têm sido muito difíceis pra mim. Estou na reta final da faculdade, em onze semanas terei meu diploma e a responsabilidade de tomar decisões importantes pro meu futuro. Futuro incerto: não sei se passarei em alguma Residência, se ficarei aqui ou irei pra outra cidade, se terei alguém (leia-se Ela) pra compartilhar os planos ou não.
Acontece que não me sinto em condições de decidir nada, menos ainda de construir alguma coisa. Estou sendo muito cobrada no hospital e ir até lá todos os dias tem sido uma tortura.

Também sofro pressão em casa, afinal, ninguém entende o motivo de meus olhos sempre vermelhos. Não sabem porque me falta um sorriso. Se bem que pressão mesmo eles não fazem. Não me perguntam, não me constrangem, não me violam. Apenas me olham com um ar preocupado, às vezes com um certo desespero. Queria muito conseguir disfarçar e não preocupá-los tanto. Mas basta um olhar diferente pra que algumas gotinhas comecem a brotar em meus olhos. Estou ausente, talvez até de mim mesma. Estou subexistindo. O máximo que consigo fazer é sair do quarto e acenar a cabeça com desânimo.

Sim, sei que eles não têm culpa de nada, ninguém tem. O fato é que não consigo ser diferente, pelo menos não agora. Na verdade queria poder contar com eles... contar pra eles. Que eles participassem da minha vida e talvez fizessem menor todo esse sofrimento. Queria deitar no colo da minha tia e ouvi-la dizer que relacionamentos são assim e que nessas horas precisamos ser maduros. Queria um abraço apertado, um conforto... um consolo.

Agora estou no meu quarto. Passei o dia todo aqui... sequer saí pra comer. Desde que minha mãe morreu, construí uma barreira que eles tentam quebrar, mas ela fica cada dia mais alta, principalmente por esse pequeno grande segredo que guardo. Escondo, na verdade. Queria não contar essa mentira.

Querida Família:
Sim, sou homossexual. Sim, estou sofrendo por uma mulher que é tudo pra mim e que estou perdendo. Sim, preciso de ajuda. Sim, eu amo vocês. Amo, mas não sei me aproximar mais... amo, mas não deixo que se aproximem porque tenho medo. Amo, mas sou cabeça-dura o suficiente pra fazer de conta que não ligo. Amo e queria vocês mais perto de mim.

Desculpe por não abraçá-los, não beijá-los, não sentar na sala pra ver TV, por não contar como foi o meu dia e não perguntar pelos seus. Desculpe ser do jeito que sou.

Quero colo.

Preciso.

terça-feira, agosto 22, 2006

V.a.z.i.o.I.m.e.n.s.o.

"Outra vez ouvi você dizer
Que não dá mais pra ficar
E a sua voz então
No soa igual pra mim
No peito falta o ar
Pra te pedir que não
Caso sem solução
Vazio imenso
A dor que vai doendo dentro intensa
Agora é só assim
Eu por você
Você sem mim...
É como o sol
Que queima e mata todas as estrelas
Que não podem voltar pro mar
Que não podem voltar pro mar...
E tudo acaba... me leva a alma
Será que o amor acaba assim?
E tudo acaba... me leva a alma
Será que o amor acaba?"
Vazio - Banda Guetsu

sexta-feira, agosto 18, 2006

Lacerated!

É assim que me sinto hoje: dilacerada! Um vazio que me viola, invade minh'alma, cresce até não mais caber em mim e transborda! Derrama pelos olhos. Entope as narinas, incomoda meus ouvidos, tira meu ar... me tira de mim.
Descontrole. O desespero me aborda, não consigo dar três passos sem pensar em nós. Após o dia de compromissos que não queria cumprir, vejo-me só; entro no carro e sequer consigo colocar a chave na ignição. Estou cega. Visão turva. Choro inconsolável. Dor. Essa dor maldita... que começa no centro do peito e se espalha por mim inteira. Corta. Rasga. Perfura. Esmaga. Mutila.
Cinto de segurança? Pra quê? Ele já não me protege... de mim mesma. Não me impede de ser arremessada contra a vontade de não existir.
Não consigo dormir, comer, respirar, sorrir, pensar... Será que tem remédio? Só se for de receita azul.
Estou doente! Não há outra explicação. Essa doença perversa, a solidão.
Dilacerada!

quarta-feira, agosto 16, 2006

Desire, despair, desire...

Não sei porque cedi a essa vontade tola.
Estava resistindo, indo até bem... ou não tão bem assim, mas ao menos conseguia não chorar... muito.
Enquanto isso ficávamos nessa novela de MMS: “saudade”, “pensando em vc”, “só pra dizer bom dia”, “boa noite”, “tudo bem?”... Aceitávamos, nos submetíamos a esse paradoxo de querer, poder e não estar. Tudo isso me confundia. Como era possível duas pessoas se gostarem, sentirem saudade e ao mesmo tempo se castigarem mutuamente com a solidão? Daria um jeito nessa confusão, afinal, as coisas são mais simples do que as tornamos.
Então liguei. Liguei para conversar do dia-a-dia, ouvir a voz, saber como anda, oferecer apoio, mostrar que me importo. Até que fui bem recebida. Há alguns dias não conversávamos e sentíamos falta da voz uma da outra.
Alguns suspiros indicando uma certa melancolia, uma tristeza que insiste em se mostrar... e meio que sem querer, uma culpando a outra pelo tédio vivido nos últimos dias. E assim começa tudo novamente... Você se sentindo cobrada... e eu não compreendida. Também você não compreendida e eu culpada. E os olhos voltados pro centro, pro nosso centro... eu achando que só olhava pra você...
Discutimos. De novo. Você, com razão, complementa e me cala:
- Assim estamos nos distanciando ainda mais. Você está adiando nossa volta...
Silêncio... engasgos... e você continua:
- Desse jeito você me desespera – choro copioso. Estou com vontade de morrer...
Susto! Justo você, sempre tão a favor da vida... sempre tão espiritual. Que sempre me deu tanta bronca... isso me machucou. Senti-me dilacerada.
Desligamos.
Desculpe!
Desculpas pra mim também...
Primeiro preciso aprender a não ter você; pra depois ficar do seu lado.... só assim o desejo não remete ao desespero!

segunda-feira, agosto 14, 2006

Más línguas...

Engraçado como é bom falar da vida alheia! Não, não sou em quem pensa assim...
Estava ontem no meu plantão quando observei uma médica dando instruções à equipe de enfermagem.
Estranho que nunca havia me atentado para o tão famoso "gaydar", mas acho que na ocasião ele apitou! Só pra mim, é claro. Algo me dizia que talvez ela jogasse no mesmo time. Não era o jeito de se vestir, de falar, ou o corte de cabelo... não sei o que era, só sei que pensei isso.
O plantão foi passando e já havia me esquecido dela quando fui tomar água na copa e ouvi:
- Sabe a Dra. Fulana?
- Sim, que tem ela?
- Então, a Dra. Ciclana disse que uma vez, quando as duas trabalhavam na CCIH, entrou no repouso médico e ela estava aos beijos com uma enfermeira!
- Mesmo? "Mó" sapata então?
- Ééé! Por isso sempre tive medo dela. Tenho medo de sapatão! Vai que ela dá em cima de mim?
- Credo, Deus me livre... tenho é nojo! Ainda bem que nunca nem falei com ela! Mas e aí, o que a Ciclana fez?
- Tadinha - exclamou! - fechou a porta e saiu. Imagina a situação dela: se fosse um casal normal já seria estranho, imagina duas sapatas?!??!
Risinhos maliciosos e uma pérola:
- Será que ela foi na parada gay? - muitas gargalladas! E eu, a essa altura, nem queria mais estar ali.
E as duas médicas saíram rindo alto com um certo ar de superioridade... como se Dra. Fulana fosse nada mais que motivo de piada! Isso mesmo: médicas, colegas, pessoas que deveriam ter um pouco mais de tato e informação!
e eu fiquei lá... com o copo e o coração na mão! Poderia ter sido eu...
Novamente empurrada pro fundo do armário!
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Tentando pensar em outra coisa... mas ela não sai de mim!

sábado, agosto 12, 2006

Passa...tempo

Os dias têm passado devagar... Sei que deveria aproveitar e estudar um pouco mais, ando relapsa com a faculdade! Mas minha mente já se cansou de doenças, doentes... então passei a navegar pela Internet e encontrei muita coisa bacana, li muitas histórias e vi que o ser humano se repete a cada geração, mudando um ou outro detalhe.
Achei interessante como o mundo virtual une pessoas... aproxima iguais, ensina, incita, emociona e distrai. Isso! Tenho me distraído enquanto navego...Vago... e enquanto isso, a vida parece-me um pouco mais fácil de levar.

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Até que hoje tive uma oportunidade para sair... uma amiga antiga me ligou mas algo além do tempo nos distancia. Fizemos o mesmo curso, ela está um ano a minha frente... fomos escoteiras juntas (sim, eu fui escoteira) e melhores amigas. Mas hoje ela me pareceu uma estranha. Foi ruim.
Acho que estou sufocada nesse armário... talvez por isso esteja agora na Internet... apenas a passar o tempo!
Esse tempo que não passa...

quinta-feira, agosto 10, 2006

Ela e o tempo...

Ela!
Falar sobre ela me faz sentir ainda mais apaixonada... Uma mulher linda, sensível, dedicada, altruísta, generosa, inteligente, forte, lutadora... enfim, de inumeráveis qualidades!
Além de tudo, tem um belo sorriso largo e um lindo par de olhos verdes!!!
Cerca de 4 anos mais velha, mantém espírito jovial com a ingenuidade de criança e malícia de mulher...
Namoramos há 14 meses e nesse período passamos por momentos inesquecíveis, risos incontroláveis, lágrimas de emoção, felicidade... e também, é claro, dificuldades e tristezas!
Queria que o tempo a que me refiro no título fosse apenas o tempo que estamos e pretendemos estar juntas... mas trata-se do tempo que ela pediu. Disse que para colocar a cabeça no lugar, pensar um pouco sobre a relação e a vida, afinal, ela tem passado por uns problemas e estes estavam interferindo no namoro, bem como algumas atitudes minhas que ela não aprovou... Tempo! Tempo!
Justo ela que no início disse que não acreditava em dar um tempo...
Mas acho que minhas cobranças e carência interferiram em sua opinião.
De qualquer forma, fico aqui torcendo pra que esse tempo passe logo!
Tá difícil respirar...

quarta-feira, agosto 09, 2006

Duas vidas...

Isso mesmo! A essa altura do campeonato ainda tento agradar a gregos e troianos...
Por ainda morar com a família (muito conservadora, diga-se de passagem), estar na faculdade e conviver num mundo cheio de preconceito, cá estou, com minhas duas vidas!
Uma, a que escolheram pra mim... nos tradicionais moldes da sociedade machista e patriarcal: uma mulher, infelizmente ainda solteira e solitária que todos esperam que se case, crie os filhos de acordo com essa mesma perspectiva (filhas para o casamento e homens para conquistar o mundo) e seja feliz para sempre apenas por cuidar de seu casamento!
A outra, representada pelo que realmente sou e que, por enquanto, muita gente nem faz idéia: mulher, lésbica, completamente apaixonada pela namorada, que em breve pretende se mudar e viver conforme o coração pulsa...
E, enquanto esse dia não chega, vou vivendo por aqui... gastando demasiada energia para esconder uma metade que me representa por inteiro!
Haja jogo de cintura!!!